Aventura Viagens

Lés-a- Lés com a KTM Adventure 1090

É uma felicidade acordar e saber que vou pegar na mota! É uma alegria sempre que me sento em cima da mota!
Fazer viagens longas e programas diferentes com a mota é o meu objetivo, ganhar experiência e pratica…para que o meu sonho de fazer a Islândia de mota fique cada vez mais consistente!

A passagem da KTM Duke125 para a KTM Adventure1090

Bem, eu tinha que dar o salto, a Islândia não podia desvanecer e eu tinha que começar por algum lado. Perguntei a varias pessoas “das motas” que provas ou experiências podia fazer para perceber mais da dinâmica das viagens longas.

Há varias opções e todas elas faziam os meus olhos brilhar! Desde a fins de semana “por aí”, a passeios a cabos ou pontos específicos, Picos da Europa, Algarve, Marrocos, N2 e Lés-a-Lés!
O Lés-a-Lés nunca mais me saiu da cabeça e assim que me certifiquei que o ía fazer, tive de tratar do salto da KTM Duke125 para uma mota mais à altura dos 400 km traduzidos em 8 horas diárias durante 3 dias, para fazer Portugal de lés a lés!
O processo de evolução de mota ía ser gradual e bastante consistente, mas acontece que nesse período tive a agenda de tal forma preenchida mais a meteorologia a não ajudar, que quando fui a ver tinha 12 dias para me habituar a uma KTM Adventure1090!

Até hoje as pessoas não acreditam que passei assim de uma para a outra e fiz o Lés-a-Lés logo de seguida! Nem eu acredito…na altura a adrenalina era tanta, o medo quase se apoderou de mim…os meus olhos estavam sempre abertos e tinha a cabeça a mil! Mas desistir não era opção, e tive bastantes pessoas a dizer: “ Helena, não é melhor só fazeres para o ano?” Mas eu ficava pior só de imaginar isso, desistir não era opção!

A experiencia Lés-a-Lés

Lés-a-Lés pareceu-me bem desde o inicio, e estava disposta a fazer-lo sozinha mesmo não conhecendo ninguém, sabia que o ambiente era muito bom e que não era de cariz competitivo mas sim de cariz lúdico e cultural, conhecer o nosso país de uma ponta à outra por estradas alternativas.
Mas costuma-se dizer que quando queremos muito uma coisa ela acaba por acontecer e tive muita sorte em falar com um amigo que me disse que também ía fazer! Fiquei radiante porque para alem de ja ter companhia, predispôs-se a ajudar com logísticas e em formar equipa comigo.


O ponto de partida foi em Vila Pouca de Aguiar (perto de Chaves), mas se é ponto de partida, a mota já tem que estar lá e por isso fui dois dias antes e fiz 500 km com calma.
O primeiro dia foi uma prova de 4 horas para conhecer as redondezas, logo aí percebi que os próximos 3 dias podiam ser puxados! O termómetro marcava 40 graus e as vestimentas para se andar de mota não são frescas! Eu então faço sempre questão de usar luvas, casaco, calças e botas, mas mesmo que não fizesse questão as pessoas chamariam a atenção se estivesse a faltar alguma destas peças, e com razão! Alem disso eu sinto que tenho que dar o exemplo, é muito importante ter o corpo todo tapado/protegido para caso aconteça alguma coisa. Não gosto muito de falar sobre isso, mas também não se pode ignorar, tento sempre conduzir da forma mais segura e tenho muito respeito pela mota e pela estrada!

No primeiro dia rumo ao Fundão não sabia bem o que me esperava, arrancar as 9 da manha não foi cedo o suficiente para chegarmos antes das 21h, foi duro confesso mas valeu tanto a pena! Andavam todos espantados com a minha mota, diziam que as mulheres não tinham mãozinhas para ela, eu achava graça, na verdade também eu estava orgulhosa e espantada, a mota portou-se lindamente e senti-me bastante segura. O que mais me assustava era o peso da mota, cerca de 215 quilos, sempre que parava a mota tinha que pensar se depois conseguia sair dali, uma vez ao ligar a mota, quase com a mota parada percebi que ela ia cair, já não conseguia evitar…e caiu, mas sozinha, eu fiquei de pé nem tentei segura-la porque realmente é um bicho!

No segundo e terceiro dia a temperatura que marcava no visor rondava os 45 graus, sempre que parávamos despejava garrafas de agua para arrefecer, a viseira do capacete tinha que ir fechada porque o ar queimava na cara, havia momentos que só estava bem se estivesse a conduzir tal era o calor mas ganhei resistência, estaleca e experiência. Sentia-me concretizada e feliz! Vi paisagens que nunca imaginei que fossem “nossas”, conheci pessoas fenomenais.
Seguramente vou voltar a fazer o Lés-a-Lés para o ano, aconselho toda a gente a fazer esta aventura, sejam condutores experientes, inexperientes, repetentes, aventureiros, penduras, toda a gente, é uma experiência única!!

Vim de la cheia de vontade de viajar e percorrer estradas e mais estradas, obrigada à minha equipa foram os melhores! Ptá!!

 

4 Comments
  • Daniela

    Olá Helena!
    Tão bom ver uma mulher motard! Eu também conduzo e tenho uma NC750 e muita gente me diz que é muito alta para mim, é pesada, não é feminina… faz-me tão feliz conduzi-la!
    E a mais recente aventura foi fazer 7500km com o meu namorado até à Escócia 🙂 Por isso, nunca desistas de ir onde quer que seja!

    • joao

      Daniela, estamos lá para o ano, ok?

  • Pedro Ferreira

    Muitos parabéns pela coragem!

  • joao

    Lá estaremos para o ano!!
    Tudo a correr pelo melhor!

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